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Necromante - Aprendiz #13

CAPITULO 12
CAPÍTULO 13

  • Vamos acorde garoto!
Aquele tom de voz duro e grave só podia ser de uma pessoa. Stix rolou para o outro lado da cama.
  • Vamos, não temos tempo pra essa sua preguiça!
Stix abriu os olhos, piscando devagar, vendo apenas uma textura avermelhada a sua frente.
  • Acorde, não quero ser obrigado a derrubá-lo da cama!
O garoto levantou o tronco e ficou sentado, para o lado da parede da cama.
  • Já acordei… já acordei…
O rosto fechado de Tite se abriu um pouco da carranca habitual.
  • Isso mesmo, se prepare, vai ter que usar outra roupa, seu casaco de urso e tudo mais está muito molhado! Onde você estava quando começou a chover ?
  • Eu… Estava por perto dos rios, meio longe.
Tite andou até estar de frente ao rapaz, seus olhos se estreitaram, havia algo ali.
  • Nos rios, mas aí suas coisas estariam muito pior! E você estava de folga ontem! Além do mais, todos os pescadores sabiam que ia chover, por isso voltamos mais cedo! O que estava fazendo lá?
  • Eu levei uma garota para conhecer… Ela queria saber mais do que nós fazemos…
Um sorriso beiçudo se esboçou no rosto do pai de Stix.
  • Uma garota ? Quem é ? Quem você trouxe ? 
Stix, olhou para o lado.
  • Era apenas a Manma, a aprendiz do Jonson.
  • Hum… Humm… Manma… É a filha de Teano! É uma boa menina! Espero que não tenha deixado ela gripada!
  • Não… Nós, nós… Bem não é nada, ela deve estar bem…
  • É bom mesmo, agora vai se vestir e pegue suas coisas, temos que comer e descer já.
  • Podemos passar no artesanato antes de descer ? Tenho que pegar algo lá.
  • Hum… Tá bom… Hoje não estamos tão atrasados…
Stix se levantou, deu uma olhadela pela janela, o céu estava cinza, mas o ambiente ainda estava quente, tão úmido que parecia que o calor o abraçava. O rapaz alcançou um pino na parede e pegou uma túnica leve que cobria até os pulsos, vestiu-a e em seguida pegou uma calça ao lado desta, se trocou rapidamente enquanto seu pai inspecionava os equipamentos de pesca, terminou colocando um par seco de botas.
  •  Stix! O que esse arco está fazendo aqui ? Não é daquele caçador que treinava vocês? Jo… Jorgen ?
  •  Agora é meu pai. Me-
  • Como assim seu ? Você pegou o arco dele agora que não é mais caçador ? Isso não se faz na nossa vila !
  • Não pai… Jorgen tem um arco novo, este antigo foi me dado… 
  • AH… É bom mesmo! ...Bem… Vamos indo.
Stix pegou o arco e o pendurou nas costas, pegou também a rede e uma lança, seu pai pegou um chapéu de palha e o colocou na cabeça do rapaz.
  • Para caso chova, é bom ter a cabeça protegida… - Ele estreitou os olhos para trás dos ombros do rapaz. - Porque traz o arco? Estamos indo pescar…
  • Acho que posso precisar dele hoje pai…
  • Bem é um peso a mais, não acho que seja necessário, vai acabar só carregando mais peso, bem… Pode ser bom para te deixar com um corpo mais forte…
  • É…
Os dois saíram e seguiram sua rotina matinal, primeiro para o grande salão, depois iriam ao artesanato e finalmente para os rios. Tite orientava Stix sobre os perigos dos rios em épocas chuvosas, dava dicas de como pegar os peixes que se escondiam, ocasionalmente perguntava sobre a garota.
Depois de comer, os dois se dirigiram para o artesanato, chegando lá encontraram alguns rapazes e um senhor mais velho, ao vê-los Stix abriu um sorriso.
  • Maciço! Gigantis! Quanto tempo não vejo vocês! E você Abis! Sua barba nunca esteve tão grande!
Abis já era um senhor mais antigo, sua barba era lisa e escorria até o peito, Maciço e Gigantis eram dois rapazes da idade de Stix, estavam no artesanato desde sempre, então era comum se encontrarem com os caçadores.
  • Oi Stix, você parece bem! - Os rapazes se entreolharam - Nem parece que as histórias sejam reais! - Terminou Gigantis.
  • Esses caçadores voltam da floresta só falando historinhas haha!! - Falou Maciço.
  • Não são historinhas… Já faz um tempo aquilo tudo… Olhe só - Stix puxou as mangas do braço direito, mostrando as três marcas de carvalho.
  • -Olha só Maciço, é real!! Ele é um homem árvore agora!
  • Olha isso Gigantis! Ele tem um monte de pau agora!
Uma voz grossa ecoou por trás de Stix.
  • Parem com isso crianças, estamos com pressa. Vamos Stix faça o seu pedido.
  • Ah sim, certo, rapazes, preciso de uma corda… Qual é o melhor jeito de prender a corda em uma flecha?
  • Oooh, ele quer prender uma flecha numa corda, Gig.
  • Éee ele quer prender uma corda Mac.
  • Hohoho - Abis emergiu dos fundos - Não são muito requisitadas, mas temos exatamente o que está querendo… - Às vezes Johan pede isso para nós hohoho… Deixe-me ver se temos uma por aqui. Vamos garotos, me ajudem a procurar.
Em seguida ouviu-se em uníssono.
  • Sim Abis!
Os três passaram a procurar, olharam em baldes de barro que tinham várias flechas, em estantes, procuraram por todo o lugar. Enquanto procuravam, o pai de Stix tinha uma expressão esquisita, meio fechada no rosto.
  • Pra que quer algo tão específico Stix? Isso não poderia esperar para outro dia?
  • Não… Tem que ser hoje…
  • A pesca não pode esperar suas brincadeiras garoto, estamos quase ficando atrasados, desse jeito vamos ter que ir nos rios mais afastados, e tem chovido.
  • Não se preocupe pai. Isso é importante, vai valer a pena.
Tite já estava batendo o pé no chão quando uma voz veio do fundo.
  • Achei! 
Era a voz de maciço, o garoto levantou ao ar um rolo de corda acima.
  • É isso aqui não é!? 
Os olhos meio fechados de Abis se abriram e ele inspecionou o conjunto, havia de fato uma flecha ali, ela era inteira feita de algo metálico, a parte de traz era uma argola, onde a corda estava amarrada.
  • É isso mesmo Mac… Hohoho São bem raras essas aqui - O senhor chegou mais perto para olhar melhor - Sim sim, É do tipo que usam para prender e depois puxar.
  • Gig, já achamos, pode parar de procurar! - Gritou Maciço.
Os três voltaram com a flecha corda, os olhos de Tite se arregalaram quando viu o negócio.
  • Nossa, é de metal! - Aumentou a voz Tite.
  • É sim, as flechas de madeira não aguentam a força que é aplicada nessas aqui… Precisamos das especiais… É algo que não temos muito, então tente não perder rapaz.
  • Sim! Obrigado Abis, Mac, Gig, era tudo que eu precisava, obrigado!
  • Ouviu Stix? Tome cuidado com esse negócio. - A voz grave de Tite ecoou novamente.
  • Sim pai…
  • Vamos indo então - Tite falou já se virando.
Abis entregou a corda e flecha nas mãos de Stix.
  • São uns dez braços de comprimento, espero que sirva.
  • Muito obrigado!
  • Não há de que, estamos aqui pra isso mesmo, até mais Stix.
  • Obrigado Abis! Muito mesmo! - Stix terminou de falar já se virando.
Os dois pescadores agora foram de encontro a trilha para os rios. Enquanto desciam pelo barro, ainda úmido e escorregadio os dois começaram a se falar.
  • Essa flecha pai… Não fazemos isso aqui né… Você me contou quando eu era menor…
  • Sim! - O pé do homem deslizou na terra dura e úmida - Urgh!
  • Está bem pai ?
  • Vamos focar em descer isso aqui primeiro, depois conversamos…
Os dois seguiram, com o dobro de cuidado, quando já estavam em baixo, em uma seção mais segura voltaram a falar.
  • Sim Stix, isso aí vem de trocas, por isso é importante não perder… Trocas não são fáceis… E só acontecem de vez em quando.
  • E esse povo que vive na montanha, como eles são ? Porque não temos mais contato com eles ?
  • Eles são… um povo diferente… Esqueça deles Stix, não é uma das suas preocupações.
  • Mas eu quero saber! Eu vi! 
  • Viu eles ? Por aqui??
  • Não! As montanhas! Como eles vivem lá!?
Tite olhou para cima, um pouco para o lado, balançou a cabeça duas vezes…
  • Então foi lá que você levou a garota ? Para cachoeira.
  • Eu… - Stix ficou tenso, talvez não devesse levar pessoas lá.
  • É um lugar muito bonito mesmo… Me traz memórias…. Boas memórias… É um bom lugar…
  • Não está bravo ?
Tite ainda olhava para cima, balançando a cabeça, como se estivesse em transe.
  • Bravo? Eh, Uh… Ah, sim! Não deve ir lá nessa época! É muito perigoso!
Stix vendo a reação de seu pai, não conseguiu conter uma gargalhada, só pensava o que devia estar passando na cabeça do velho. O rosto de Tite enrubesceu um pouco, até que seu rosto fechou.
  • Vamos! Não quero mais nenhum piu!
Os dois seguiram. Como chegaram atrasados deveriam ir até o terceiro ou quarto rio novamente, para ter certeza de ter um local virgem para pescar, foram ao quarto rio. Eles pararam numa região pedregulhosa, com uma queda de água, a mesma que Stix foi a primeira vez.
-Aqui está bom, o tempo está feio, então vamos voltar mais cedo hoje. - Tite olhou em volta - Tome cuidado, as pedras estão mais escorregadias hoje.
Stix deixou a rede num canto, junto com sua lança, Tite levantou as sobrancelhas mas não falou nada. O rapaz subiu a pequena queda de água pelas pedras nas margens e pulou para uma pedra entre as águas do rio, dali de cima ele conseguia ver a água com menos reflexo, enxergava todos os peixes.
  • O que vai fazer aí de cima Stix? As pedras estão escorregadias!
  • Observe pai! Eu tive essa ideia a pouco tempo!
O rapaz tirou o arco das costas, amarrou a corda no braço direito e colocou a flecha metálica no arco.
  • Isso não é perigoso ? Não vai te puxar?? - Suas sobrancelhas levantaram e seu bigode abaixou, formando uma expressão de preocupação no rosto de Tite.
  • Confia pai, você vai ver, hoje sou eu que vou levar mais peixes para casa… Eu acho...
Stix, procurou um peixe maior, estava difícil por causa do céu acinzentado que se misturava com a cor dos peixes, mas daquela posição ele tinha uma visão privilegiada e logo encontrou seu alvo, mirou, puxou a flecha, um pouco mais pesada que uma flecha habitual, mas nada que seu novo arco não o ajudasse a resolver, e finalmente soltou. O sibilar se ouviu de todos os lados enquanto a seta cortava o ar, até que o som foi trocado pelo barulho de algo derrubado na água. Stix abriu um sorriso.
  • Vamos veerr….
O rapaz começou a puxar a corda e ali estava ele, o peixe preso em sua flecha, ele foi puxando até ter o peixe em mãos.
  • Olhá só pai! Consegui, assim é muito mais fácil para mim.
  • Impressionante…
  • Você vai ver, hoje vou levar muito mais para casa que você!
  • Mas esse, não é o jeito dos pescadores, não é como fazemos por aqui. Venha pegue sua lança, vamos fazer isso do jeito certo.
  • O que? Não, eu vou fazer assim e vou descobrir qual é o melhor jeito de pescar.
  • Desça logo aqui, vai fazer do jeito certo.
  • Não! Eu to descobrindo algo aqui! Você não pode ficar limitando o que eu posso fazer, quem disse que meu jeito é errado?
  • Se seu jeito fosse melhor, todo mundo faria igual a você, mas essa vila já pesca a séculos e sempre o fez com lanças, desça logo aqui.
  • Se todos que fossem criativos e habilidosos o suficiente para tentar o que eu fiz fossem bloqueados por pessoas como você, nunca haveria mudança nenhuma, eu vou pescar daqui de cima mesmo e vou te mostrar que esse jeito é melhor!!!
Tite olhou para baixo e suspirou.
  • Faça como quiser…
Tite se posicionou próximo a margem e ficou pescando dali, usando sua lança com três pontas em metal branco.
Os dois seguiram com suas rotinas, Stix formava uma pilha cada vez maior, vez ou outra errava o disparo, mas ainda assim tinha uma taxa de sucesso muito maior do que com a sua lança, ainda assim, era difícil acumular mais capturas do que seu pai, um pescador habilidoso com toda sua experiência de vida, parecia que ambos estavam em uma competição para determinar quem segurava a verdade em seus braços. Horas se passaram e ambos já estavam cansados do ritmo frenético que tinham tomado, de repente TIte parou.
  • Stix, está ouvindo isso... ? Desça já daí!
  • Não estou ouvindo nada não! Você não desistiu ainda? Eu vou mostrar que esse é o melhor método!
  • Não é isso Stix! Desça já daí, não está ouvindo ?
  • O qu- 
Um jato de água passou pelos seus pés e o derrubou no rio, seguidamente foi arremessado da queda da água e bateu as costas numa pedra pontiaguda, a água continuava arrastando ele, enquanto seu corpo se contorcia em dor, o arco prendeu ao seu braço e foi levado junto com ele, de longe ele via Tite gritando correndo pela margem, mas a água vira e mexe cobria sua cabeça e ele não ouvia mais nada, havia barulho de água para todos os lados, quando finalmente começou a recobrar os sentidos e o ardor estava menor, percebeu a situação em que estava, o rio havia se tornado feroz e o arrastava em uma velocidade impressionante, conseguiu pôr a cabeça para fora por alguns segundos e ouviu seu pai gritando.
  • Se agarre em algo!! Rápido! SE AGARRE! ESTÁ CHEGANDO!! STIXX! SE AGARRE EM ALGO!!
Stix olhou ao redor e viu várias pedras se projetando para fora da água, ao seu lado um tronco vinha rodopiando, só houve tempo para mergulhar antes de ser acertado, mas em vão, alguns galhos o enredaram, agora o garoto lutava para ir para superfície e respirar, começou a chutar o galho que o agarrou, mas o ar foi se esvaindo, aos poucos, quando já não tinha esperanças o galho se quebrou e ele pode nadar para cima, respirou o máximo que pôde, enquanto voltava a ser arrastado ele olhou em volta e ouviu brevemente.
  • STIX, SE AGARRE EM ALGO AGORA! RÁPIDO!
  A água inundou seu ouvido e ele não ouviu mais nada, ele acertou uma pedra de lado, agora só se podia ouvir um arfar desesperado, ele foi rolando para o outro lado do rio, onde de repente sua mão prendeu em algo, e naquilo a mão ficou bem presa. 
  • RÁPIDO, SUBA, ESCALA A REDE STIX.
O rapaz atordoado, olhou para frente e viu seu braço preso na rede de pesca, que por sua vez estava presa nos galhos de um tronco, Stix começou a fazer força para puxar o corpo para cima, a correnteza estava forte, o seu braço foi lentamente subindo, até que finalmente alcançou a rede, agora com os dois braços ele foi se puxando, lentamente indo contra a correnteza em direção ao tronco.
  • VOCÊ PRECISA SAIR DA ÁGUA STIX! ISSO SÓ VAI PIORAR! VAMOS STIX, SUBA!
  • A GRANDE QUEDA, ESTÁ LOGO ALI, VOCÊ TEM QUE SAIR DAÍ STIX!
Stix continuou se puxando até que chegou ao tronco, o tronco por sua vez estava preso entre duas pedras no meio do rio.
  • SUBA NO TRONCO STIX, SAIA DA ÁGUA, VOCÊ PRECISA DE ENERGIA!
Ele continuou se forçando para cima, mas era muito difícil escalar o tronco naquela situação, ele estava escorregadio e água não parava de empurrá-lo, ele podia ouvir de tempos em tempos o tronco batendo contra as pedras, não estava muito preso. Em um golpe de sorte Stix pisou em um galho que o permitiu se empurrar com força o suficiente para cima do tronco, ele se deitou agarrando o tronco e ficou ali por alguns minutos, recobrando a consciência.
Logo voltou a ouvir.
  • STIX, VOCÊ TEM QUE SAIR DAÍ, A ÁGUA ESTÁ SUBINDO!! LOGO ESSE TRONCO VAI SER LEVADO!! 
O escuro começou a sumir, dando espaço para um barulho aumentado e o sentimento da chuva acertando seu corpo. O rapaz olhou ao redor, o tronco estava muito longe das margens, olhando para trás praticamente não havia mais rio, a queda de água estava muito próxima, se fosse tentar pular ia certamente voltar para a água e a correnteza, o som começou a ficar mais alto.
  • STIX!! RÁPIDO!!
A expressão de Tite mudou quando ele chegou mais perto, ele viu, no braço do rapaz estava a corda da flecha, junto com o grande arco, ainda preso.
  • PUXE A CORDA STIX!! VOCÊ PRECISA DA SUA FLECHA! RÁPIDO.
Stix olhou para seu braço, sua visão estava meio turva, viu ali o arco e a corda presa, de repente ele entendeu o que seu pai planejava, começou a puxar a corda, trazendo ela para perto, ela enroscou em algo, ele puxou com mais força, não veio, mais força e ela se soltou, ele soltou um ar de alívio e continuou puxando, de longe ele ouvia.
  • MAIS RÁPIDO!
Continuou puxando, finalmente a corda saiu da água e em vez de alívio, a cara de Stix se fechou em desespero, a ponta da corda voltou sem nada. Tite vendo de longe se ajoelhou e colocou as mãos no rosto, sussurrando “ não posso perder de novo”, “isso não está acontecendo”. Depois de um momento Tite se levantou.
  • STIX, DESCULPE! EU ESTOU INDO!
  • NÃO PAI! FIQUE AÍ!
Por Aperion garoto, eu durmo por um momento e você quase se mata. Me acordou num pesadelo.
Stix sussurrou para que seu pai não ouvisse.
  • O que eu faço? Não tem mais jeito… 
Você não tem tempo… Nem habilidade para sair dessa situação pela água…
  • Eu achei que você era a floresta, não pode parar isso ? Eu… eu não quero ir agora...
Eu não posso te ajudar… Não sem acabar matando todos vocês… Isso aí, na sua mão é uma corda não é ? Porque não atira ela para longe?
  • Não tem como, a flecha com gancho se foi...
Olhe pra baixo garoto.
Tite estava tirando as roupas para ficar mais leve e poder nadar sem problemas, Stix começou a olhar para o tronco freneticamente e encontrou uns pedaços de pau saindo para cima.
  • PAI NÃO SE MEXA! EU PRECISO DE VOCÊ NA MARGEM!
  • EU… EU… NÃO ENTENDO!? - Tite olhava para todos os lados.
  • NÃO SAIA DAÍ!!
Stix bateu com o braço esquerdo num galho, até ele se soltar, puxou o pedaço, era grosso e grotesco, mas teria que servir, ele amarrou a corda no pedaço, apontou para o seu pai na margem e gritou.
  • SE PREPARA PRA PEGAR A CORDA!!
  • ESTOU PRONTO!
Stix atirou o galho, ele foi arremessado e começou a sair rodando no ar, tinha muito menos força que uma flecha normal, a corda estava encharcada, o galho não tinha aerodinâmica, ele foi voando lentamente, mas com aquela força, rodopiando, não ia chegar a margem, de repente se ouviu um baque, a corda estava presa entre uma das três pontas da lança branca e o movimento rotatório do galho o fez prender toda a corda ao redor da lança.
  • PRONTO STIX!! EU VOU AMARRAR ISSO EM UMA ÁRVORE E JÁ TE TIRO DAÍ!
Tite puxou de volta a lança, desprendeu a corda, tirou-a do galho, amarrou na árvore fina mais próxima, segurou ela e gritou.
  • VAMOS STIX! AGORA VOCÊ TEM QUE PULAR DE NOVO NA ÁGUA, SE PUXE PELA CORDA, EU TAMBÉM VOU TE PUXAR!
O rapaz assentiu, apertou mais a corda no braço, agarrou ela com a mão, foi até a ponta do tronco e pulou na água, ele começou a se puxar. Seu pai ouviu alguns baques, a distância podia ver outro tronco e seus estilhaços vindo pelo rio.
  • MAIS RÁPIDO, ESTAMOS QUASE LÁ!
Ele continuou puxando com força, Stix continuou puxando com força, batendo as pernas, de repente sentiu um grande ardor na perna. Ouviu-se um grande baque quando um tronco se chocou contra o outro e os dois foram levados pelo rio, descendo pela grande queda de água. Logo Stix estava se arrastando próximo a margem, junto das árvores que se colocavam para cima do rio, ali a correnteza já não era tão forte, Tite deu a lança para Stix se agarrar e o puxou, finalmente o tirando da água e o derrubando na terra. O rapaz caiu e ficou ali, arfando, tentando se recuperar do choque.
  • QUE BOM! - Tite gritava enquanto chorava - VOCÊ ESTÁ AQUI AINDA! QUE BOM QUE NÃO LEVOU VOCÊ! ME DESCULPE MEU FILHO!
Stix jazia no chão, sem força nem para responder.
  • VAMOS.... VAMOS TEMOS QUE SAIR DAQUI, A ÁGUA SÓ VAI SUBIR AGORA… VAMOS FILHO!
Tite tentou levantar o filho, quando viu um um estilhaço de madeira enfiado na coxa dele, com um pouco de sangue escorrendo dali.
  • Por Aperion… Vamos filho, tenho que te levar para a segurança.
O pai levantou o filho e o apoiou no ombro, foi usando sua lança como bengala e levando os dois para longe dali, para um lugar mais alto, aquela região toda era cheia de rios, e todos deviam estar em situações parecidas, ficariam ilhados ali até os rios esvaziarem, mas por enquanto, estavam mais seguros.

CAPITULO 14




Animes Dai
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