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Necromante - Aprendiz #9

CAPITULO 8
CAPÍTULO 9

  • Vamos acorde…
  • Eu disse pra você acordar…
  • ...
  • Acorde LOGO!!
Stix abriu seus olhos devagar, sua cabeça doía por causa da bebida fermentada do dia anterior.

  • Queee… Nãaao gritaa… - Os olhos de Stix abriam e fechavam.
Tite, o pai de Stix, o olhava com reprovação, para alguém deitado olhar para Tite era como olhar para uma torre, seus ombros largos e escurecidos pelo sol pareciam uma muralha inquebrável, seu cabelo e sua barba preta se estendiam até o pescoço e seu rosto afetado pelo sol mostrava expressões duras.

  • Vamos, você vem comigo hoje. Pegue uma das lanças e uma rede… - Tite suspirou - Vamos logo! Se levante ! O dia tem que render!
  • Ja vooouu...
Stix, se virou, se sentando na cama, olhou em volta atordoado. Uma mão larga e de pele dura e rachada veio ao seu rosto, com ela, uma jarra de barro com água.

  • Beba isso, vai te fazer melhor - O olhar de reprovação se apaziguou e deu espaço a uma expressão de dó - Você precisa aprender a se controlar nesses festivais… Não pode beber tanto…
  • Obrigado Pai… Se você tivesse vindo conosco talvez pudesse ter me impedido no ato…
  • Você sabe que eu não participo dessas coisas… Prefiro, ficar afastado, há mais honra no trabalho…
  • Você só trabalha.
  • Bem, e você está atrasando isso hoje, vamos, se vista e faça o que eu mandei, nós saímos daqui a pouco.
Stix, se levantou, puxou sua jaqueta de urso de um cabide de madeira e começou a vesti-la.

  • Esse é um ótimo trabalho, acho que é o melhor que o Jonson já fez - Disse Tite, chegando mais perto - É incrível como a pele e os pelos sofreram tão pouco dano - A mão dura apalpou no peito de Stix - Vai te proteger bem do sol, mas é melhor evitar molhá-la.
  • Sim ficou muito bom… O que vou fazer com você hoje ?
  • Ingrid me falou para te carregar de assistente na pesca, você já conhece tudo, mas ela quer que você se ocupe com isso essa semana.
  • Estranho, achei que eu seria assistente dela agora… O que foi que ela te disse ?
  • Me disse que você precisa conhecer outros ofícios… Mas planejar isso não é fácil, todos os mestres já estão ocupados, então por hora você fica comigo, já que é meu filho e já me acompanhou nesse ofício tantas vezes.
Stix se moveu para pegar uma lança de madeira encostada na parede e também uma rede que estava num canto, Tite colocou um facão na cintura e pegou uma lança branca feita de uma pedra que não era comum na vila, na verdade não havia nada de comum na lança de Tite, além do fato de que ele a usava para a pesca. A lança era toda branca e feita de algum minério, a frente era dividida em três partes e o fim de cada ponta era de uma cor acinzentada, havia inscrições no cabo da lança de algo que parecia uma língua que ninguém sabia ler e abaixo das inscrições haviam dois buracos esféricos, a lança branca parecia estar com os homens da família de Stix há gerações, mas aparentemente seu maior feito era perdurar pescas por tanto tempo sem se degradar.
Com as mãos carregadas os dois se moveram para fora do portal, Tite carregava um saco de couro com recursos para passar o dia, além de um saco vazio, para trazer o resultado de seu trabalho.

  • Vamos passar no salão para você comer algo, eu já comi, vou aproveitar também para pegar nossas provisões para a tarde… Sobre os últimos dias, desculpe não estar aqui quando você acordou, você sabe o quanto a vila depende da pesca, tenho que sair cedo todos os dias e parece que você estava acordando tarde.
  • Tudo bem pai… Já aconteceu mais coisas do que eu pude digerir...
 Stix andava com dificuldade por causa do tamanho da rede, os dois andaram em direção ao salão. O pai de Stix costumava acordar cedo e voltar tarde, então desde que Stix foi selecionado para seguir o ofício de caçador era incomum os dois se encontrarem. 
Em um certo tempo os dois chegaram ao salão, a resistência do rapaz já estava mais alta e ele nem teve que descansar no caminho. Ambos apoiaram seus pertences na parede da construção antes de entrar, o salão estava meio cheio e haviam pessoas em todas as três mesas, apesar disso tudo estava silencioso e as pessoas pareciam estar sem energias e com movimentos lentos. O garoto se sentou na mesa do meio e começou a se satisfazer com frutas, seu pai seguiu para cozinha para encher um dos seu sacos com carne salgada, logo ele voltou e se sentou com o rapaz.

  • O rio deve estar baixo hoje… Então podemos ir para uma queda de água e usar as lanças para pegar os peixes que estiverem presos. Se eu estiver errado usamos a rede.
Stix continuava comendo, apenas desviando o olhar e mexendo a cabeça para assentir, por alguma razão estava com muita sede e por isso não parava de virar a jarra de barro mais próxima para dentro de seu copo.

  • Hoje vamos apenas para as partes mais próxima da vila, indo rio acima, como você está se recuperando e melhor não irmos muito longe.
Stix enfiou um pedaço de carne grande na boca e engasgou.

  • Estamos com pressa, mas se não comer com calma vamos demorar mais ainda! - Tite dizia enquanto batia nas costas do rapaz.
Stix, raramente respondia o pai, ao invés disso focava na comida, quando ele se sentiu satisfeito, olhou para o pai, enquanto lambia os dedos.

  • Acho que agora estou pronto… Eu queria saber mais do que a Ingrid planeja fazer comigo, não acho que pescar seja algo que eu gostaria de fazer sempre. Eu não tenho a paciência que você tem pai.
  • Bem, não é uma questão de querer, isso é que tem para você fazer agora e eu aprecio um pouco de ajuda… - O grande homem olhou para o portal - Vamos indo, antes que o Badum pare a gente com conversa fiada.
Os dois se levantaram e se dirigiram a saída, pegaram as coisas e começaram a andar para o leste da vila, haviam rios tanto a oeste quanto leste da vila, ela ficava em um planalto, de forma que na época das cheias não haviam problemas, mas o rio a leste era melhor para pescar, o terreno em sua área era mais rochoso além de estar mais perto e portanto ser menos visitado por animais. Haviam várias bifurcações que caiam no rio maior, os rios menores eram bons para pegar peixes quando a água estava baixa, algumas áreas se tornavam pequenas piscinas naturais das quais os peixes não conseguiam escapar e eram nesses lugares que eles passariam o dia. 
Ao deixarem a vila, o caminho para os rios era uma descida por uma trilha com terra muito batida, devia ser a trilha mais caminhada da região, ao chegarem às margens pedregulhosas do rio eles encontraram outros homens da pesca, alguns estavam descansando antes de subir morro acima com seus resultados, outros estavam se preparando para atravessar o rio, Tite parou para conversar com um colega.

  • Onde vocês trabalharam hoje ? Devo evitar o lugar que vocês foram ? 
Um homem mais velho com a barba ainda maior do que a de Tite, já toda esbranquiçada respondeu:
  • Estamos vindo do terceiro rio, lá as coisas estavam boas, - O homem disse enquanto massageava a barba -  e já pegamos bastante lá, era melhor deixar a área descansar, acho que ninguém foi no quarto rio, deve estar bom por lá ainda.
  • Obrigado Pretu, vou seguir seu conselho. Venha Stix.
  • Seu filho voltou a pescar com você ? Eu sempre achei que o garoto devia ter ficado conosco ao invés de ir se meter nas florestas. Viu o que aconteceu. Quem é a da água deveria ficar com a água.
  • Isso não importa mais Pretu, não é o caminho há muito tempo.
Tolice.
O homem mais velho agachou para pegar seu saco cheio de peixes e o puxou para trás das costas.

  • Sim sim, não é, mas mostra algo sobre nós não é mesmo! É melhor se trabalharmos com aquilo que nos faz sentido.
Pretu cruzou os dois e seguiu subindo a trilha. Tite se virou para seu filho e gesticulou com a cabeça para que eles andassem acompanhando o rio.

  • Podíamos cruzar o grande rio numa canoa, mas aí molhariamos sua bela jaqueta, vamos subir numa área mais rochosa e cruzar onde o rio está raso, por cima das pedras.
Os dois andaram um tanto acompanhando as margens do rio, de tempos em tempos haviam elevações de terreno, não levou muito até estarem numa área com a água baixa, perfeita para cruzar o rio.

  • Eu sei que sabe disso, mas tome cuidado para não escorregar, pise nas pedras tipo cuia.
  • Sim pai, obrigado pela preocupação.
  • Você está quieto garoto, nem parece você, cadê toda sua energia? 
  • Me cansei muito ontem… A bebida não é brincadeira… Mas, eu só percebi, tem tanto que eu não sei, e passei sofrendo muito esse dias… Decidi... Só seguir o que me for dito agora… Se eu parar de pensar no que vai ser, e só fazer o que está na minha frente, eu percebi que sofro menos… Eu confio em vocês, eu posso deixar o planejamento para vocês e só observar e entender o que está acontecendo… Acho que… Foi por isso que Ingrid me mandou trabalhar com você.
  • E você diz que não está pensando ? Tem bastante acontecendo dentro dessa cabeça, é o que eu acho… Mas tudo bem, vamos fazer isso direito hoje.
Os dois continuaram seguindo o rio pela outra margem, logo outro rio desaguava para o principal, esse era o rio um, seguindo pela margem do rio um, outro desaguava nele, o rio dois, eles foram seguindo trocando de margem em margem até chegar ao rio quatro,  seguiram pelas margens até chegar numa pequena queda de água, onde o rio estava pouco fundo.

  • Parece que não vamos precisar da rede. Coloque os peixes que você pegar na sacola vazia, vou deixar aqui nessa pedra. A água não está muito funda, então não coloque força de mais nas suas estocadas.
  • Sim pai, até que sentia um pouco de falta de fazer isso.
Tite pegou um pequeno pedaço de carne salgada e esfarelou-o em sua mão, chamou seu filho e virou um pouco dos farelos na mão dele.

  • Use de isca, derrube um pouquinho e rápido os peixes virão para ver o que é. 
Os dois se posicionaram em pedras das quais podiam dar estocadas na água, se posicionaram um tanto longe um do outro para evitar de atrapalharem a pesca um do outro e começaram a espera. Ambos esperaram para identificar onde os peixes se escondiam antes de jogar um pouco de isca. Logo começaram a se ouvir as estocadas, para cada estocada de Tite, levantava-se uma lança com um peixe pendurado na frente, era incrível como ele conseguia manusear uma lança tão pesada com tanta destreza, logo o homem já tinha quatro peixes prateados ao seu lado, em compensação, para cada estocada de Stix, subia uma lança sem nada, o garoto ainda não tinha recuperado sua destreza. 
Depois de um hora nesse processo o lado de Tite já estava carregado e o de Stix ainda vazio, a frustração de Stix já estava alta quando em uma estocada sem resultado, ele olhou para o peixe que escapava e puxou seu braço esquerdo de baixo para cima,  seguindo o movimento do braço a água em volta do peixe espirrou para cima e o peixe caiu em uma pedra. Tite reparou no que aconteceu, tirou a atenção da sua pesca e foi pulando para perto de Stix enquanto gritava.

  • STIX!! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO!
  • Eu-
  • VOCÊ SABE QUE NÂO PODE FAZER ISSO! ESSE NÂO É O JEITO!
  • Porque não !? É muito mais fácil assim!! - Os olhos de Stix se encheram de lágrimas.
  • VOCÊ SABE QUE NÂO PODE! NINGUÉM PODE! ESSE NÂO É O JEITO DE LYNOT!
  • Tudo por causa de uma guerra que ninguém aqui viveu! Isso não faz sentido, nós somos feitos pra isso, Pretu mesmo disse a mesma coisa!
  • NOSSOS… - Tite fez uma pausa - Nossos ancestrais pagaram caro por querer fazer essas coisas! O jeito mais fácil não é o mais certo! Com treino, você pode fazer as coisas direito, sem depender disso! Olhe quantos peixes eu peguei sem depender disso!
É por isso que vocês vivem como animais.

  • Você pegou! Mas eu não peguei nenhum! Qual é o problema de fazer algo tão natural quanto puxar a água ?
  • Filho… Em Lynot, nós vivemos de uma maneira honrosa e completa, que nos permitiu prosperar por muito tempo… Tem muitos outros que não tem a mesma sorte de viver em paz em uma comunidade onde as pessoas gostam e protegem umas às outras.
Se você chama isso de viver...

  • Tá bom, não vou fazer isso de novo, mas eu não entendo, se nós somos capazes e vivemos em paz, porque não podemos viver livremente ? Nem tudo faz sentido nos ensinamentos!
  • Essas habilidades que nós temos, no passado, só nos trouxe desgraça, todos em Lynot sabem disso filho, é por isso que evitamos ao máximo mexer com isso… Isso é o que chamam de sabedoria.
Bem, essa decisão… Pelo menos garantiu a existência, esse crédito eu dou.

  • Tudo bem filho… Não foi nada de mais… Eu me exaltei… Contanto que você saiba que não deve mais fazer isso, está tudo bem.
Isso é besteira, uma tolice repetida mil vezes.
Tite começou a voltar para sua posição.

  •  Vamos… Ainda temos que pescar muito para justificar o quanto a gente andou até aqui. Você ainda vai conseguir pegar algo hoje.
Ambos continuaram tentando por mais uma hora antes de parar para comer. Na cabeça de Stix refletia apenas um pensamento o tempo todo “Porque?”. Durante a refeição, para acompanhar a carne salgada eles beberam água do rio. Stix ainda havia pego nenhum peixe, seus braços já doíam e ele só não estava queimado pelo sol porque sua jaqueta o protegia muito bem. 
Quando os dois voltaram a pescar, os movimentos de Stix estavam ainda mais lentos, quando começou a ficar tarde os dois decidiram voltar. Com exceção do que foi puxado com a água Stix ainda não havia pego um único peixe, na volta seu pai o fez carregar o saco com peixes que estava mais pesado.
Que vida.

Capítulo 10




Animes Dai
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